23 de nov de 2007

A Nossa Oposição

Para tornar-se circo, o Brasil necessita apenas da lona. O principio de hierarquia, tão forte entre nós, faz de qualquer reformista um subversivo. Basta observar a paranóia de Diogo Mainardi, e muitos outros similares, que enxergam no Lula a própria encarnação do Mal. Como sabemos, o nosso presidente encontra-se a anos luz de afetar os poderosos desse país, mas para a elite bucaneira, conservadora até o osso, o sapo barbudo ainda é perigoso - sem dizer da sua feição que berra a todos a sua origem social. Daí ser mais fácil encontrar uma crítica contudente ao governo Lula entre os seus simpatizantes do que entre os seus "opositores". Parece ilógico, mas só parece: não interessa a Elite criticar a política econômica do governo Lula, que tanto engordou os lucros de poucos como igualmente manteve os que já estavam gordos mesmo que tenha preenchido com um pouco de carne os esfomeados. Temos o fim do espaço político já que sequer são colocados para discussões os problemas vitais e gritantes da sociedade. Temos nos jornais (não em todos) e no Congresso (nem todos) um amálgama de falácias que giram em torno de um autoritarismo subjetivista o que impossibilita a própria realização da política. Precisamos recuperar a inteligência que me parece abandonar o país - caso contrário, o ódio e o cinismo será mais ainda, e com mais força, a regra não apenas do dia mas da própria forma de existir.

5 de out de 2007

Ali Kamel, O Puro.

Ali Kamel, como todos sabem, jornalista neutro e que respeita os fatos, agora encontra-se em uma nova empreitada, em uma nova faxina ideológica: a de proteger as nossas crianças!!! Primeiro, nosso grande “libertário” se esforçou em defender a sociedade contra todas as tentativas que procuraram impor certos limites à mídia taxando-as como sendo coercitivas. No mundo de Ali Kamel, onde não há racismo, as relações humanas são vistas a partir de um prisma tão simplório que não sabemos se tais "análises" é resultado de uma demência social ou se é cinismo mesmo - fico com as duas. O mesmo que defende a liberdade, entendida aqui porcamente como ausência completa de impedimentos, agora cumpre a missão de banir todos os livros didáticos que não compactuam com as suas poucas idéias chamando-os de ideológicos!!! Eureca: o pensamento de Ali Kamel, como já ressaltamos, é neutro, logo não pode ser ideológico!!! Repito: não sei se é demência social ou cinismo, mas nosso jornalista se coloca acima de todos os valores, limpo, neutro, e condena algo que é da própria condição humana, isto é, o reino dos valores, das idéias, etc. De “libertário” passa à censor sem o menor problema, pois como é em nome de uma causa justa, a de libertar as nossas crianças dos comunistas (ridículo), a atitude continua sendo libertária. Temos aqui um déspota esclarecido cuja intenção, essa sim, é de causar muito medo.

26 de set de 2007

Bater, também Cansa.

É admirável o apego da elite bucaneira às coisas sem substância, como igualmente é admirável a sua “apreensão” da realidade social, bastante limítrofe e que procura, autoritariamente, submeter toda complexidade social e humana a uma mera acepção ditada pelo Eu, considerado aqui como sendo o único fundamento da realidade. Basta observar a sua reação em relação a certos acontecimentos. Em tempos modernos, a sensibilidade diante das coisas, e, principalmente das pessoas que nos rodeiam, é quase nula. Existimos num país em que a "sociedade", com destaque para a elite e a classe mérdia, se espanta com os ataques do PCC como se fosse anormal a presença da violência (em todos as suas formas opressoras) numa organização "social" com o posto de segunda pior desigualdade de toda orbe. Para os seres humanos que habitam nas periferias, a violência não é nenhuma novidade, pois a ausência do Estado é presente; não é novidade não porque concordam com a violência e sim porque sabem, pela experiência, que são invisíveis para a "sociedade", e quando são "percebidos" são tidos como "culpados" por serem pobres e miseráveis. Como é notório, o modelo de poder herdado da Casa Grande é visivelmente presente nas consciências dos habitantes de Pindorama. A justiça aqui é confundida com vingança. Há quem afirme ser o motivo da violência no Brasil a ausência de firmeza por parte da polícia. Assim, a pena de morte é bem vinda, como também o é a violação de certos direitos humanos, a começar pela tortura, não para todos, é claro, mas para alguns que "mereçam", como presidiários em geral, todos naturalmente "bandidos". Não é de se estranhar que certos defensores dos direitos humanos precisam ser protegidos, já que são tratados feitos criminosos, como os são todos aqueles que procuram reivindicar dos seus direitos, principalmente os sociais; são eles recebidos por policiais, independentemente de ser pacífica ou não a manifestação, às pancadas; aos olhos da população, são considerados "baderneiros" ou "vagabundos". Mas o que ocorre se o “protesto” não for encabeçado pelos pobres e miseráveis, mas pela elite e os candidatos à elite? Pois é, temos uma elite inconformada, cansada e exausta - bater cansa muito.
É essa elite que é o “farol da modernidade”, afirma a revista Veja. O povo é estúpido e não pode ser autônomo, mas apenas tutelado, e claro por uma elite “culta”, atenta às necessidades da sociedade, já que possui uma visão ampla. Não é necessário dizer aqui o quão tosca e burra é a elite nacional e a Veja – ambas se merecem. Para termos uma pálida idéia da inteligência da elite e da sua capacidade de entender a complexidade das relações sociais modernas, exporemos algumas “análises” profundas emitidas pelos participantes do movimento “Cansei”. Patrícia Rollo, por exemplo, não admite que apontem a elite como a responsável pelas mazelas histórias do país: “os menos privilegiados fantasiam a elite como uma vida perfeita”. Continua com sua complexa análise: “o povo está acomodado. Não vou falar dos baianos. Será que devo falar? Até pelo clima, pelo calor, pela falta de cultura, é inerte. Tem gente que fica com a bolsa família e não trabalha mais.” Quanta asneira para uma pessoa só!!! Patrícia, socialite inconformada, nosso farol, se vale, obviamente sem saber, de uma tese do século XVI - tempo em que repousa o seu inutilizado cérebro com as minhas desculpas aos homens do século XVI: a de que o clima é o fator determinante da moral!!! Nessa complexa lógica, os baianos emergem como pré-dispostos à inércia, à preguiça e daí a falta de cultura desse povo, pois cultura possui apenas a elite – nota-se o quão é profundo o conhecimento de Patrícia Rollo sobre a terminologia cultura, conceito esse que antropólogos, sociólogos, etc, fundem a cabeça para entenderem.
Como a elite nacional é muito culta, a informação é uma necessidade. Não pode, portanto, se valer apenas de uma única fonte do saber. Assim, além da Veja (o santo Graal dos “informados”), consulta Gabriel Chalita, o “teórico” da pedagogia do amor – para Chalita, educação é amor!!!. Tal como um artigo de luxo, o conhecimento igualmente precisa ser “adquirido”, já que marca um estilo. Para quem não conhece Gabriel Chalita, esse é o gênio que escreve livros à velocidade que defeca – até o produto das duas ações é o mesmo. De acordo com Chalita, “o Lula dá uma idéia de separatismo que é ruim, preconceituosa.” Que farol, que genialidade!!! Agora o Lula inventou a desigualdade. O problema não reside no fato de que habitamos na segunda pior desigualdade do mundo; o problema é o Lula, que é chato, preconceituoso, pois se não fosse o sapo barbudo (que não atrapalhou em nada os lucros da elite) não haveria conflito!!! Mas, para terminar, ressalta nosso farol: “Gosto de ganhar dinheiro, não sou hipócrita, mas tenho preocupação social”. Ah! Que bom!
Mas parece que surgiu um novo “farol” para ocupar, junto com Chalita e outros “esclarecidos”, o posto de Guru. E a elite nacional o aceitou alienantemente e cinicamente. Estamos a falar aqui do sociólogo Alberto Almeida que acaba de lançar o livro “A Cabeça do Brasileiro”. Esse estudo nos remonta a “argumentos” elitistas dos séculos precedentes. Nosso sociólogo fez uma “descoberta científica”: a elite é menos corruptível que as classes populares!!! Percebe-se o quanto Alberto Almeida conhece profundamente a história brasileira. É como se a corrupção fosse uma mera questão intelectual: basta ter clareza entre o que é público e o que é privado para não ser corrupto!!! Assim, se a elite afirma ser não corrupta, logo ela não é; do mesmo modo, basta o povo titubear diante das perguntas “científicas” para logo ser corrupto. Diga-se de passagem, que a cultura do “jeitinho” nada mais é do que a descrença da sociedade frente a todas instituições que, como todos sabem (menos Alberto Almeida), é resultado de práticas corruptoras exercidas sistematicamente há séculos pela elite “instruída”. Realmente é um farol a cegar os olhos!!!
Falemos de outros faróis. Uma outra tese tão antiga quanto o reino mineral é a de que não somente a elite é a mais instruída para tutelar o povo ignorante como o é somente a elite paulistana; essa sim, culta, instruída, e que possui a missão de levar o Brasil adiante. Uma das capas da revista Veja procurou colocar o Lula como sendo o “representante” do Brasil atrasado junto com os nordestinos, seus eleitores; por outro lado, encontramos o Alckmin exposto como sendo o “representante” do Brasil moderno junto com os paulistanos, seus eleitores. Como dizem, “nós, os paulistanos, temos que carregar o país nas costas” – que farol!!! A diferença entre esse tipo de “pensamento” e as dos ditos carecas é apenas o porrete, porrete esse que ao ser exercido constantemente pode causar cansaço. É com “fundamento” nessa tese que uns dos organizadores do “movimento” Cansei, o presidente da Philips Paulo Zottolo, se coloca como farol – talvez do maior surto de demência social já visto. Diz o nosso farol: “Não se pode achar que o País é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado. Estamos vivendo uma calamidade, não uma tragédia.” Que civilidade digna dos Hooligans.
E assim se sucede a lógica maniqueísta: os heróis de um lado, e os vilões do outros, ou melhor, os vencedores e os “ressentidos” perdedores . E mais: o governo Lula é o mais corrupto de todos!!! O Brasil se divide, portanto, antes era Lula e pós era Lula. Que o diga a quadrilha, digo o jornalismo, da Veja. Não podemos deixar de assinalar que existem certas indivíduos privilegiados sensíveis, mas boa parte sofre de demência social, não há apenas indícios de problemas mentais, é a própria demência que se aloja e que, entre tantas, fica apenas a difícil tarefa de escolher no compêndio enorme de asneiras ditas e histericamente amplificadas pela Grande Mídia como sendo o único caminho, o da luz, o farol... Mero engodo: se não tomarmos cuidado, podemos padecer de cegueira. O que já esta ocorrendo, pois não temos “sociedade" mas autofagia - é a naturalização do ódio e do autoritarismo.


24 de jan de 2007

JORNALECOS: dominação mental e empresa de capitais.

A comunicação de massa em Pindorama ressalta coisas sobre guerras, fotografias vermelhas e manchas em meio aos classificados, marcas de hidratante e receitas de como ser feliz. Acordarmos como que se estivéssemos dormindo, sonhos lindos em lugares limpos e saudáveis tomam o nosso redor. Do caos midiático precipitam anúncios de concurso público e a esperança de que tudo deve mudar. (Viva a mídia!) Com ela tudo tem uma “boa explicação”. Até a miséria humana. Despertamos do sono fisiológico para adentrarmos no fabuloso, no fantástico mundo da mídia, que ecoa como o arauto das boas intenções. Nada se explica, nada se discute, a não ser os bumbuns das moças bonitas das novelas e propagandas de cerveja. Nada sobre a possibilidade que Pindorama tem para ser um país de verdade, ao invés desse arremedo insólito de nação multiétnica embutida de objetivos comuns em torno de um mesmo projeto nacional.

Na província dos Goyasis, por exemplo, a mídia local, aprendiz de feitiçaria dos engenhos Rio-São Paulo, fala sobre a beleza do burgo descolado pelas bandeiras: praças limpas, arborizadas, canteiros de rosas esparramados nas avenidas, meninas com estilo manequim da Revista Brazil e muita música chula confundida com obra de arte em meio ao calor de deserto. As notícias são tão bem vestidas de palavras e imagens que quase acreditamos em tudo que dizem ser feito nos espaços de circulação da província do pequi. Graças ao quarto poder, o poder de comunicação da mídia, como os hodiernos Dyario de la Manhãna, El Populary, Tevî-Ayangueras e outros associados locais. Que vontade que dá de ser amigo da mídia! Tão competente no exercício do seu metier! Podemos lembrar, que enquanto os “novos” déspotas esclarecidos faturavam com os soldos emitidos pela Avestruz Máster, a mídia pequizeira preferiu incentivar o médio populacho a investir economias inteiras num “negócio da china”, com um lucro que seria garantido por um rendimento mensal que chegaria até os incríveis 5% ao mês. Mas ao preferir incentivar a compra de ações, a mídia também optou pelo oposto da sua virtude e, contrariando os princípios do jornalismo ético, deixou de informar as pessoas sobre como aquela empresa organizava seu caixa para poder redistribuir tais rendimentos com os investidores e nem de longe discutiu a origem e os antecedentes da mesma no interior paulista, onde já havia ocorrido o mesmo tipo de golpe financeiro.

Para os donos de jornais, senhores de engenho da comunicação local, déspotas esclarecidos numa terra de gente semi-alfabtizada e sedenta por riqueza fácil, nada se falau sobre os fatos que alguns repórteres encontraram nas visitas in locu; nada sobre o número de aves dentro da empresa, inferior ao número dos registros de posse de aves encontrados com os investidores depois da investigação federal; nada de duvidar dos lucrativos juros superiores aos de quaisquer outros tipos de investimento bancário em Pindorama. Depois da derrocada empresarial, Polícia Federal rondando a cidade, coube apenas anunciar aquilo que todo mundo já estava sabendo, tremendo rombo pra quem comprou ações da empresa. Por que não informar as pessoas, os colaboradores da mídia? Isto é sonegar informação! Com certeza é (também) incentivar o instinto patriótico de enriquecimento fácil, existente desde os tempos em que nossos patrícios mancebos e mal cheirosos pisaram aqui em Pindorama. Mas de que vale tal incentivo? “Ora, se o meu lucro pode ser inevitável, por que impedir que ele aconteça?”, argüiria inteligentemente de si para si um bom senhor de gentes.

N.B.P.

24 de dez de 2006

O Autoritarismo da "Opinião Pública"




O "jornalismo", em pindorama, é o que há de mais limítrofe e perverso para um país em que a democracia é apreciada somente como uma "coisa exótica" e que por isso mesmo merece ser mencionada porém nunca praticada. A base de sustentação dos "argumentos" da "grande mídia" é contar com a desinformação da maioria da população que, há séculos, é usurpada dos seus direitos fundamentais, a começar pelo acesso à informação, direito importante para a constituição de uma democracia autêntica e concreta, portanto, não apenas formal. Na verdade, não poderia haver outro "fundamento" para a "mídia oligárquica" senão contar com a desinformação, pois, do contrário, sua inexistência seria quase uma necessidade histórica, já que inteligência e ética são binômios ausentes dos seus discursos. Daí que, em pindorama, emerge um novo tipo de "jornalismo", exercido por meio de um autoritarismo subjetivista, "neutro", e que afirma ser os fatos algo irrelevante; assim, o importante é a pirotecnia que se edifica em torno dos fatos, esses nunca almejados, mas sim criados por "notícias" redigidas num espaço onde afirma que tudo não passa de uma mera questão de ponto de vista, mesmo que inúmeras vezes os "inconvenientes" fatos contrariem as falácias midiáticas chamadas, histericamente e em coro, de "opinião pública". Além de contar com o autoritarismo subjetivista e com a desinformação, é necessário acrescentar ainda mais um elemento à prática discursiva da "grande mídia" tupiniquim: é que ela só consegue apreender a realidade social por meio de dicotomias e de maniqueísmos. Daí a “crítica” a toda política que tenha como escopo impor limites a “liberdade de expressão”, interpretada vulgarmente por jornalecos (como a Folha de São Paulo, Estadão, Globo e a mais tosca entre todos a Veja) como sendo o direito de “expressar” o que bem compreender, de acusar sem provas, ou melhor, de primeiro acusar e depois ir à procura das provas; ou de criar os fatos mesmo sem eles existirem, e depois de tudo isso chamar essas “expressões” de “opinião pública”, neutra e imparcial. Ora, querer estabelecer algumas medidas preventivas ao jornalismo, diga-se de passagem, de péssima qualidade, não significa necessariamente censurar o direito de expor idéias; ao contrário, se conduzidas dentro dos princípios democráticos, tais medidas limitativas contribuirão para a lenta constituição de valores e práticas democráticas em pindorama. E é justamente isso que não pretendem os “neutros”, já que querem continuar a praticar uma espécie de “neutralidade autoritária”, isto é, “direi sempre o que desejo mesmo que nada de fato me sustente, pois o mundo é o que eu vejo e nada mais; e depois chamarei isso de opinião pública me colocando, desse modo, acima do bem e do mal, apenas interessado em salvar a “sociedade” da opressão, etc. A complexidade da temática, como se sabe, não cabe dentro dessas afirmações limitadas, interessadas, como sempre, a atender as vontades de uma minoria autoritária, privatista e burra. É necessário realizar um amplo debate em torno da liberdade de imprensa e, antes de qualquer resultado, afirmar que não aceito ser tolhido do meu direito de ser sujeito da minha opinião, escancaradamente solapada no conceito de “opinião pública”. Desse modo, peço agora o meu direito de resposta a Veja, a Folha de São Paulo, ao Estadão e ao “jornalismo” da Globo, que não se entendem lá muito bem mas na hora de bater sistematicamente se unem tão solidamente que dissimulam uma suposta harmonia.

8 de dez de 2006

Desigualdade social: uma obsessão da esquerda?

Lembro-me que era muito freqüente, à época dos calorosos debates universitários, certos indivíduos afirmarem, de forma explícita ou não, ser a luta de classes uma Criação de Karl Marx!!! A desigualdade social, desse modo, não existiria antes do filósofo alemão e que, graças à sua imaginação, tornara-se real. Nesse tipo de "crítica", a preocupação com a "pobreza" emerge então como "coisa de gente da esquerda, de comunistas ou de subversivos. A miséria não se apresenta aqui como um imperativo objetivo - é um capricho subjetivo. Ao invés da diferença ideológica fundamentar-se na estratégia que cada ação e pensamento pode tomar diante da desigualdade social, coloca-se a distinção em se saber se ela existe ou não: ser de esquerda é, portanto, "achar" que a desigualdade é uma fato e ser de direita ao contrário - ou no máximo admiti-la, porém como um dado a mais entre tantos outros que a burocracia estatal e a "sociedade civil" devem "administrar”.Tudo isso quando se considera a concretude dos termos "direita" e "esquerda", pois, de acordo com certos "pós-modernos", essas categorias analíticas não são mais válidas. É como se os conflitos desaparecessem pelo simples fato de não mais se fazer uso dos termos "direita" e "esquerda", mesmo que no cotidiano político os indivíduos ainda se valem desse binômio para medir suas ações e reflexões, constituindo, assim, subjetividades. Infere daqui que tudo se converge ou que todas as ações políticas podem ser interpretadas como sendo "progressistas" ou "conservadoras", "modernas" ou "atrasadas", como prefere um certo jornaleco de uma incomensurável péssima qualidade. Sabemos perfeitamente que a esquerda é impregnada de maniqueísmos, teleologismos, messianismos, tal como (e principalmente) a direita. Sem dúvida, o pensamento e a ação requerem ser constantemente submetidos a um exame crítico. O problema é que em determinados rincões do mundo, e com mais força em Pindorama, a “crítica” beira ao vulgarismo e a periculosidade política. No Brasil, não se critica alguns oportunistas sem-terra, mas a própria idéia de reforma agrária; não se discute o racismo, mas o mérito; não se critica certos procedimentos de ações ditas de esquerdas, mas os seus objetivos, procurando assim desqualificá-los a partir de algum fundamento moralista mesmo que certas reivindicações dos “subversivos” sejam de interesse nacional, como é, por exemplo, a erradicação ou no mínimo a diminuição considerável da desigualdade social. Quando determinados intelectuais gritaram ao mundo que o capitalismo “venceu” o “comunismo”, o que temos não é uma crítica ao comunismo mas a idéia de transformação e todo indivíduo que ainda desejá-la é considerado arcaico, pois está marchando contra o ritmo “necessário” da História – não pode existir vida fora do mercado, dizem os apóstolos neoliberais. Ser realista, portanto, é se adequar as coisas tal como elas são e ser utópico (termo utilizado de forma pejorativa) é querer mudar o que não pode ser mudado. Temos infinidades de asneiras perigosas e o nosso presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, veio nos brindar com mais um besteirol perverso. Agora a miséria não é mais um acidente, uma fatalidade, uma Criação de Marx, é fruto da imaginação que brota num certo período da nossa vida, mais precisamente antes dos 60 anos e com um leve odor de mofo. Nosso presidente logicamente sabe que a miséria não é imaginosa, por outro lado isso não nos impede de lhe agradecer pela contribuição de acentuar ainda mais as confusões maldosas tão propaladas por uma elite estúpida, burra e sedenta por promiscuidades. As consciências mutiladas, espalhadas por todo esse país, esperam muito do presidente, numa época importante da nossa história política; esperam esses homens e mulheres, no mínimo mais coragem, a começar pela simples critica a alguns petistas por concordarem com a recente pornografia ocorrida no Congresso: a tentativa de se aumentar os salários de deputados e senadores de 12 mil reais para 24 mil reais!!! Não acabou: os ministros do STF já ganham esse valor, pois é constitucional!! Após a toda essa sacanagem secular dizem alguns: o povo brasileiro não tem enraizado em si os princípios democráticos, não tem moral, é passivo, é gado, não pode organizar-se (num país onde quem luta por direitos legais é considerado subversivo) sem ser tutelados, etc. Que bom! Ah, se não existisse os miseráveis a miséria desapareceria. E você presidente, concorda ser o problema do Brasil os miseráveis?